Ser mineiro

Ser mineiro é não dizer o que faz,
nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos.

Batista Queiroz

Minha cidade Aiuruoca

Um texto de Lourdes Maciel

Minha cidade não tem muitas palmeiras, mas tem muitos sabiás, canarinhos, rolinhas, e o maior engenheiro do mundo – o João de barro.
Não tem o Pão de Açúcar, mas tem o Pico do Papagaio que do ápice de seus 2100 m de altitude, contempla a Cidade Presépio banhada pelo rio que tem a nascente mais alta do Brasil.
Não tem praia, mas tem o Pocinho do Badoglio, uma piscina natural de águas correntes, que nascem na Serra do Papagaio e caem formando um agradável balneário, circundado por uma bela paisagem.
Local aprazível capaz de agradar qualquer visitante, principalmente aqueles que buscam paz e colírio para os olhos.
Não tem cataratas como as de Foz de Iguaçu, mas tem encantadoras cachoeiras como a dos Garcias e a do Deus-me Livre, e mais outras tantas que são capazes de extasiar qualquer pessoa que tiver a felicidade de contemplá-las
Não tem um Santuário como o de Aparecida, mas tem a Igreja Matriz na Praça Monsenhor Nagel, símbolo de fé e orgulho de um povo que sabe preservar páginas da História que já foram escritas, mas precisam continuar legíveis para os que estão chegando.
Não tem Faculdade, mas tem Escolas que contam com grandes e competentes professores do gabarito de uma Dona Araci Maciel, que segundo colegas, ´”é capaz de tirar leite de pedra” quando se trata de alfabetizar crianças, que apresentam uma certa dificuldade de se iniciarem no caminho da leitura, mas ela, com sua técnica toda especial, consegue fazer com que essas crianças se apaixonem não só pela leitura, mas pela busca do conhecimento
Não tem Escolas de Samba, mas tem ”um senhor” Carnaval que ocorre uma semana antes do Oficial. É o mais antigo carnaval antecipado do País. É animadíssimo e atrai foliões não só dos municípios vizinhos como de outros bem mais distantes
Não tem peixarias, mas tem queijeiras diversas onde se fabricam queijos como o parmesão, o mineiro entre outros com potencial para competirem com os melhores queijos do mundo.
Enfim, minha cidade AIURUOCA, não é apenas um pontinho no mapa de Minas Gerais e do Brasil, mas é a pequena grande cidade com seu clima maravilhoso, sua água fantástica e sua geografia inigualável que encanta e extasia qualquer um que gosta de belezas naturais, sem retoques de mãos humanas.

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Aiuruoca – Minas Gerais – Foto de Luis Felipe Soares

Acreditar

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Já passou pelo trevo de acesso à Aiuruoca e viu essa arte linda da Nata Família ?
Me da um alívio vê-la ao chegar e ao sair da cidade.
Sempre volto a Aiu em busca de colo, de amigos, de momentos que me restaurem as forças. Volto sempre diferente, mas Aiu me recebe sempre do mesmo jeito. Pacata, com os paralelepípedos que fazem o carro trepidar, pacata e acolhedora. Une os meus cacos, e me faz acreditar em mim e que tudo vai ficar.
Ao sair da cidade e olhar pra guarita por outro lado, as vezes chateada por ir embora, mas certa de voltar logo, aquele acreditar me faz querer ser ainda mais. Me faz querer aprender mais, ralar mais, pra sempre conseguir contribuir mais. Chegar mais longe e levar a cidade consigo, dentro do peito e com orgulho.

Minha origem, meu refúgio.
Meu acreditar.

E você, no que acredita?

História de Aiuruoca

As terras da região começaram a ser ocupadas no início do século XVIII, com o descobrimento de ouro, por João Siqueira Afonso oriundo de Taubaté, que fundou o arraial de Aiuruoca por volta de 1706.

O ouro atraiu para a região outros exploradores e em 1744 o paulista Simão da Cunha Gago fez erigir uma Capela dedicada a Nossa Senhora.
Com a escassez do ouro, a agricultura e a criação de gado tornaram-se uma necessidade à vida econômica do povoado e nestas atividades alguns garimpeiros ali se fixaram, definitivamente.

Essa estrutura agropecuária da economia da região perdura ainda nos tempos de hoje, observada, evidentemente, a existência de novas técnicas que o processo introduziu nessas atividades.

 

Do blog: Bouquet de Cravos & Conchavos – Aiuruoca MG

O último da noite

Por Gilmar Batista

Dedicado a minha terra natal.

Aiuruoca, agosto de 1990

Nem sempre

Os fortes gritos representam o dominio

desta ofuscada realidade

Sobre a cadavérica imagem

Impercebivelmente

se podrificando

pelos anais da história…

Por onde ir

quando na vereda

dos meus passos a ânsia de encontrar

com a mesma intimidade faz com que

tudo se torne

misteriosamente

num instante passageiro.

Com que derivações

retratariam

estes ingratos gestos

na ilustração

de um inaceitável abandono?

Na minha distância

nunca a esqueci adorada

terra aiuruocana!

Como gosto de ti

pena que muitos dos teus legítimos filhos

ainda a ignoram…

O que teria

para

poder nesta noturna

prosa

oferecer senão dizer

da solidão que junto

ao lindo luar

silenciosamente me acompanha sem nada poder refletir?

E com estas nostálgicas

transformações

me vejo

como o último da noite…

Vale a pena viver

por Marina Vieira

É mais uma tarde bonita
Essa tarde mostra a vida
Ora alegre,ora sofrida
Mas que precisa ser vivida.

Tenho amigos a meu lado
E uma família, pela qual me sinto amado
Sozinho no meu quarto
Penso ao escrever
Vale a pena viver.

Viver com os amigos
Contando e cantando
Rindo e dançando
Estudando e amando
Sim, vale a pena viver.

Ame, sonhe, chore
Aceite, comemore
Cante e conte
Para que se possa dizer:
Vale a pena viver.

Sempre fazemos planos
Para realizar nossos sonhos
E um dia poder dizer:
Vale a pena viver!

Vale a pena viver
Para estar aqui e conviver
Com gente que canta e conta
Histórias de grande saber.

Vale a pena viver
Ouvir as histórias do mais velho
Reviver o passado, o mistério
Que a todos canta e encanta.

Para que se possa dizer:
Vale a pena viver .

 

Marina Vieira é a idealizadora do projeto Segredos de Aiuruoca, lugar que tem como refúgio. Ela é a engenheira ‘mais humanas’ que existe e há quem diga que ainda fará outras faculdades. Apaixonada por gente, sonha em ter seus próprios negócios sociais e  assim ajudar cada vez mais pessoas.

Recompensa

por Marina Vieira

E tudo se justificou quando vi aquela cama arrumada
O meu quarto, a minha cama
Era por tudo que aquele gesto significava
Era por isso que era tão bom voltar
Ou pelo menos ter a sensação de poder voltar.

Eu só quero sempre poder retornar
Trazendo na consciência,
De que o melhor possível foi feito.
Eu só quero voltar
Pra encontrar vocês aqui
E perceber que a mesma falta
Que eu senti,
Vocês sentiram de mim.

Eu só quero poder voltar
E poder desabafar os problemas
Que tenho,
Olhando nos seus olhos
E percebendo porque e por quem
Aquilo valia a pena.

Eu só quero poder voltar
Pra mostrar pra ela que agora sei fazer omelete
Pra ouvi-la me culpar de alguma coisa
Que não fiz, sem me importar

Eu quero sempre voltar
Eu só quero agradecer
Eu quero que valha a pena
O que eu faço é pra vocês
Eu só preciso dessa recompensa,
Sempre poder voltar.

 

Marina Vieira é a idealizadora do projeto Segredos de Aiuruoca, lugar que tem como refúgio. Ela é a engenheira ‘mais humanas’ que existe e há quem diga que ainda fará outras faculdades. Apaixonada por gente, sonha em ter seus próprios negócios sociais e  assim ajudar cada vez mais pessoas.

Manuscritos do tempo – Resenha

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O livro Manuscritos do Tempo, de autoria do aiuruocano, GILMAR BATISTA DA SILVA, é uma poética e cultural narrativa do verídico fato acontecido em Aiuruoca, na antiga rua da campina, denotado como o Assassinato da Italiana de nome Luiza Pirangioli, conhecida por Madama ou Madame em data de 26. 03. 1906.
Este cruel e sangrento episódio denominou se “CRIME DAS JÓIAS e posteriormente foi identificado e publicado como “A MAIOR TRAGÉDIA DA HISTÓRIA DESTA TERRA “.
De acordo com os cinquenta e um depoimentos colhidos, mostra-se o envolvimento de várias pessoas, das quais foram apenas quatro presas e julgadas, cumprindo partes de suas penas na cadeia pública da cidade de Campanha-MG, por um período de um ano e seis meses, enquanto que “outros passeavam impunes pelas ruas desta cidade, conforme registraram as páginas 08, 192, 193, 194 e 195.
O livro é constituído de quatro capítulos, nos quais visualiza se toda a História, devidamente solidificada dentro dos autos, (processo crime n 1477) reencontrado no fórum da cidade vizinha de Baependi MG. Para mais veracidade de tais acontecimentos aguardem o lançamento, que tão logo será marcada sua data.
A verdade é, exatamente, como esses remédios amargos que desagrada ao paladar mas depois nos dão saúde
Papa Clemente XlV

Elegias da memória

por Gilberto Nable

Chove lá fora sobre as serranias de Aiuruoca.
Chove lá fora sobre o gado em aboio.
Chove lá fora sobre os bambuais e o rio.
Chove lá fora sobre antigos caminhos da minha
[ infância,
com arapucas armadas e rolinhas,
e folhas úmidas nos pés descalços,
e lírios já orvalhados.
Chove sobre os pirilampos no escuro
em verde fosforescência.
Chove sobre o corpo de minha mãe doente,
exposto ao tempo e à febre.
Chove dentro do meu peito.

Chove uma chuva miúda e triste.
Chove, afinal, sobre os telhados do mundo.
Chove nos escombros do World Trade Center,
no Marco Zero da Grande América divinizada.
Chove sobre as mulheres iraquianas orando e
[ balindo.
Chove sobre os campos de refugiados no
[ Afeganistão,
em suas barracas esfarrapadas ventando;
assim como antes chovera nos campos de Sabra
[ e Shatila,
e no Gueto de Varsóvia.

Chove na piazza de São Pedro, deserta,
e sobre os ombros encarquilhados do Papa.
Ouço a chuva caindo sobre minaretes e
[ sinagogas
com seu ruído monótono.

Vejo a chuva molhando o corpo dilacerado de um
menino palestino,
com as mãos agarradas a uma pedra.
Chove nos capacetes metálicos dos soldados de
[ Israel,
nas suas viseiras de aço e miras telescópicas.

Chove ainda hoje sobre mim,
bêbado, sozinho e urinando na chuva,
com um miserável soluço na garganta.
Eu sei que chove hoje e choverá para sempre,
em lento e definitivo dilúvio,
sem intervalo, nem instante,
até que tudo esteja submerso sob as águas,
e na superfície nada,
nada respire sobre as ondas.